Segurança de dados: cada vez mais importante

Por Vivaldo José Breternitz

A National Security Agency (NSA) é um órgão do governo dos Estados Unidos que coleta e analisa dados transmitidos por sistemas de telecomunicações, visando garantir a segurança do país – em linguagem clara, é uma agência de espionagem.

Também é responsável pela segurança dos sistemas de telecomunicações do governo americano, e em função disso acaba de emitir instruções aos militares e funcionários da área de inteligência no sentido de que tomem medidas adicionais para proteger os dados relativos à sua localização, afirmando que dispositivos e aplicativos que coletam dados desse tipo podem ser uma ameaça à segurança nacional.

Segundo a NSA, esses dados podem revelar coisas como o número de pessoas em um determinado lugar, rotinas e movimentação de pessoal e material, bem como permitir associações entre pessoas e locais.

A Agência lembra que não são apenas celulares que podem permitir a localização do usuário, mas também tablets, smartwatches, fitness trackers, dispositivos IoT e outros, e recomenda que os usuários desativem os serviços de localização de seus aparelhos, inclusive aqueles que permitem localizar equipamentos perdidos, além de darem o menor número possível de permissões aos aplicativos que usam.

Informações sobre a localização dos usuários desses dispositivos são usadas principalmente por anunciantes que pretendem atingir grupos de consumidores que estão em determinadas áreas.

No entanto, o governo americano diz que seu Department of Homeland Security, órgão que tem como responsabilidades proteger seu território contra ataques terroristas e atuar em casos de desastres naturais, tem comprado e utilizado dados acerca de localização de pessoas desde 2017. Também o US Immigration and Customs Enforcement tem usado dados desse tipo para combater a imigração ilegal.

Evidentemente, a preocupação é que outros governos estejam fazendo a mesma coisa contra os interesses americanos. Essa não é a primeira vez que os Estados Unidos tomam medidas dessa espécie: em 2018, o Pentágono determinou aos militares americanos estacionados em áreas sensíveis que desativassem o GPS de seus dispositivos de uso pessoal após descobrir, analisando dados do Strava, aplicativo muito utilizado por corredores e ciclistas, que era possível determinar a posição de instalações militares, linhas de suprimento e rotas de patrulhas, informações essas que evidentemente deveriam permanecer secretas.

Como curiosidade, vale lembrar que o Strava tem no Brasil 6 milhões de usuários cadastrados, número superado apenas pelos americanos.

Vivaldo José Breternitz, Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, professor da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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