GEMÜ do Brasil destaca a importância da engenharia de processos para garantir segurança, eficiência e sustentabilidade na produção em larga escala
O mercado de proteínas alternativas segue em forte expansão e apresenta um desafio crítico para a indústria alimentícia, que é transformar inovações de laboratório em processos industriais seguros e escaláveis. No final do mês de abril, o Brasil recebe a New Meat 2026, um evento de negócios dedicado à indústria de carnes cultivadas e proteínas alternativas e que reúne líderes de foodtech. O foco é a integração de novas tecnologias, como fermentação de precisão e carne cultivada, que exigem padrões de processo altamente sofisticados e estéreis.
Aproveitando o tema do evento, Michelle Branco, especialista da GEMÜ do Brasil, avalia que a evolução dessa indústria não se limita ao desenvolvimento do produto, mas envolve uma reestruturação profunda na infraestrutura de produção. “Ao tratar de novos alimentos, o padrão higiênico tradicional precisa ser elevado para um nível estéril, garantindo não apenas a segurança microbiológica, mas também a eficiência no uso de recursos como água e energia”, afirma Michelle.
Diferentemente da indústria alimentícia convencional, as novas cadeias produtivas de proteínas alternativas exigem um nível de controle muito mais rigoroso. Processos como fermentação de precisão e cultivo celular dependem da estabilidade de microrganismos e biomassa, o que eleva o padrão de engenharia de processos. “Não estamos mais lidando apenas com requisitos higiênicos. Em muitos casos, falamos de ambientes que precisam atender a padrões estéreis, semelhantes aos da indústria farmacêutica”, explica Michelle. Nesse contexto, componentes como válvulas, conexões e sistemas de controle deixam de ser itens operacionais e passam a ser críticos para garantir a integridade microbiológica e segurança do produto final.
Embora o setor avance rapidamente em inovação, a transição do laboratório para a produção em escala ainda é um dos maiores desafios enfrentados por empresas de proteínas alternativas. “A criação do produto é apenas o primeiro passo. O grande desafio está em manter repetibilidade, qualidade e eficiência quando o processo ganha escala industrial”, destaca a especialista. Segundo ela, fatores como controle de contaminação cruzada, estabilidade de processo e flexibilidade operacional são determinantes nesse estágio.
Tecnologia de válvulas ganha protagonismo
A inovação em válvulas industriais tem papel fundamental na viabilização desses processos. Soluções mais avançadas permitem a redução de zonas mortas e retenção de produto, maior eficiência em ciclos de limpeza CIP e SIP, controle mais preciso de vazão, pressão e temperatura, além da integração com sistemas digitais e automação. “Válvulas modernas contribuem para processos mais robustos, com menor risco de contaminação e maior previsibilidade operacional”, afirma Michelle.
Outro ponto central para a indústria de proteínas alternativas é a sustentabilidade não apenas como discurso, mas como prática operacional. “A promessa de menor impacto ambiental precisa ser comprovada ao longo de toda a cadeia produtiva”, diz. Nesse sentido, tecnologias de processos mais eficientes contribuem diretamente para redução do consumo de água e energia, diminuição do uso de agentes químicos, menor desperdício de matéria-prima e redução de resíduos e perda de produto.
Além dos ganhos ambientais, há impacto relevante no custo total de operação (TCO), especialmente em plantas industriais que operam com alta complexidade. “Paradas não programadas e perdas de lote são alguns dos custos mais críticos na indústria de alimentos. Soluções mais robustas e inteligentes permitem uma manutenção mais previsível e menor risco operacional”, explica Michelle.
Para a GEMÜ, o avanço das proteínas alternativas dependerá cada vez mais da capacidade da indústria em estruturar processos confiáveis e eficientes. “Por trás de cada inovação em alimentos, existe uma engenharia de processos que precisa garantir segurança, escala e sustentabilidade. Esse é o ponto que vai definir quais tecnologias realmente se consolidarão no mercado”, conclui Michelle Branco.
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