Nova pesquisa da Cisco mostra maior otimismo dos CEOs com a IA, mas 65% ainda temem que não investem o suficiente na nova tecnologia

A IA está superando as expectativas da maioria dos CEOs e o otimismo deles está crescendo. O novo estudo da Cisco mostra que 65% dos CEOs no mundo (63% na América do Sul, inclusive o Brasil) se preocupam em estar investindo em IA abaixo do necessário. Os percentuais relacionados à média global e ao continente sul-americano representam um aumento de 53% e de 52%, respectivamente em relação ao ano passado.

Ainda de acordo com o levantamento, 69% acreditam que a adoção da IA é obrigatória para os negócios modernos. Entre os CEOs da América do Sul, esse percentual é maior, ao atingir 73%. No entanto, desafios significativos ainda persistem para as empresas que lutam para construir a infraestrutura, as bases de dados e os controles de segurança necessários para que a IA funcione de forma segura, confiável e em grande escala.

Este é o segundo ano consecutivo que a Cisco pesquisou 2.500 CEOs em 23 países para entender como eles veem a IA, o que esperam dela e o que está impedindo a sua escalabilidade. Na América do Sul – Brasil, Argentina, Chile, Colômbia e Peru -, os CEOs já deixaram de enxergar a Inteligência Artificial apenas como um experimento de inovação e passaram a tratá-la como uma parceira estratégica incorporada à operação dos negócios.

No estudo da Cisco, os CEOs sul-americanos destacaram que a IA deve ser encarada como uma infraestrutura central para os negócios, e não mais como um projeto paralelo de inovação. A avaliação desses executivos é de que a IA já ocupa um papel estratégico nas empresas, integrando operações, processos e decisões e, nesse contexto, organizações que acelerarem essa transformação tendem a conquistar vantagens competitivas e um crescimento mais expressivo do que os concorrentes.

CEOs esperam que os humanos trabalhem lado a lado com a IA
A implantação de agentes de IA para atuar ao lado de funcionários está classificada entre as três principais prioridades dos CEOs em 2026. A expectativa para CEOs do mundo todo é que até 2030 a IA desempenhe um papel em praticamente todos os aspectos dos negócios. No entanto, a maioria não prevê que a IA atue de forma autônoma, mas sim sob supervisão humana. 72% dos líderes – na América do Sul, 71% – preveem um futuro em que a IA apenas apoia ou executa tarefas sob a direção, julgamento ou governança de um ser humano.

Essa abordagem se baseia em razões práticas e compreensíveis que visam os seguintes pontos:

  • Garantir a segurança dos sistemas de IA.
  • Assegurar a produtividade em equipes formadas por humanos e IA.
  • Navegar de forma eficaz pela ética envolvida na tomada de decisões pela IA.

Os CEOs já aprenderam, agora é hora de construir
Segundo o estudo, a lacuna de conhecimento em IA entre CEOs está se reduzindo rapidamente. Em doze meses, a porcentagem de CEOs que admitiram que sua falta de compreensão da IA era um obstáculo na sala de reuniões diminuiu de 74% para 53%. Entre os CEOs da América do Sul, a queda foi ainda mais acentuada, de 78% para 56%. Da mesma forma, o número de líderes que relataram que essa lacuna bloqueava sua tomada de decisões informadas caiu de 74% para 49%. Na América do Sul, esse recuo foi de 76% para 46%. Isso indica um aumento no conhecimento e na confiança dos CEOs, embora também cresça a conscientização sobre a complexidade de implementar a IA corretamente.

O choque de realidade da execução
Apesar do aumento da intenção dos CEOs, a implementação da IA está estagnada, sendo impedida por três grandes limitações, segundo o estudo:

  • A infraestrutura não está pronta: 53% dos CEOs no mundo (50% na América do Sul) temem que as limitações da infraestrutura impeçam a empresa de crescer, e a atualização da infraestrutura para lidar com as cargas de trabalho de IA é classificada como a maior prioridade para os CEOs em 2026, seguida pela capacitação das equipes para a IA.
  • A confiança ainda é uma preocupação: ao mesmo tempo em que os CEOs avançam para tornar agentes de IA parte de sua força de trabalho – com a implementação desses agentes entre as três prioridades para 2026 – a segurança e o controle desses sistemas autônomos se tornaram sua principal preocupação.
  • Os dados ainda estão muito fragmentados para alimentar a IA corretamente: problemas relacionados à qualidade, acessibilidade e centralização das informações, que dificultam o avanço da IA, representam a principal barreira para as empresas, sendo apontados por mais CEOs (34%) do que qualquer outro desafio. Entre os CEOs da América do Sul, 25% citam os problemas com dados.

As preocupações dos CEOs são confirmadas pelos dados observados na prática. O Índice de Prontidão para IA 2026 da Cisco, baseado em mais de 8 mil líderes de TI ao redor do mundo, mostra que as organizações enfrentam três grandes barreiras em comum: menos de um quarto (22%) considera sua infraestrutura de rede ideal para cargas de trabalho de IA, apenas 31% se sentem preparados para proteger e controlar agentes de IA, e somente 19% possuem dados totalmente centralizados e acessíveis para a tecnologia. As empresas que conseguiram superar esses três desafios já começam a se destacar, enquanto as demais correm o risco de ficar para trás.

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